Maria Rica foi uma personagem popular do imaginário campanhense, lembrada por muitos moradores antigos. Era uma mulher simples, de vida discreta — quase sempre reclusa, “de pouco sair” pelas ruas — e quando o fazia, chamava atenção por sua aparência muito peculiar: usava duas tranças muito bem feitas e compridas, consideradas bonitas e marcantes, e carregava sempre uma bolsa velha, remendada, que já era parte de sua identidade.
Apesar da aparência tranquila, era conhecida por seu jeito bravo e impaciente quando sentia que alguém estava zombando dela — não levava desaforo calada. Por isso, as crianças e até alguns adultos tinham certo respeito misturado com medo dela, pois sabiam que se fosse provocada, reagiria imediatamente.
Levava uma vida bastante reservada, não era dada a conversas longas e tampouco a círculos sociais. Tinha um ar misterioso, como muitas das figuras folclóricas de cidade pequena: sempre presente na memória, mas pouco se sabia de fato sobre sua história pessoal. Ficou marcada justamente por esse contraste — aparência forte, personalidade firme, mas vida silenciosa, quase solitária.
Ela permanece até hoje nas lembranças como uma dessas figuras que compõem o folclore vivo da Campanha, símbolo da gente simples, cheia de personalidade, que fez parte da paisagem humana das ruas da cidade.
Fonte: Texto adaptado do livro “Gente Simples que Eu Vi”, de João Araújo (2008).