EDMUNDO NOGUEIRA

EDMUNDO NOGUEIRA – Advogado – Campanhense, nascido em 04/11/1898, filho de Francisco Gomes Nogueira e Emília da Silva Nogueira. Desde pequeno estudou e ajudou seu pai, negociante estabelecido na antiga Rua do Fogo (hoje Dr. Brandão). Iniciou seus estudos na escola do Sr. Eulálio Veiga Ferreira Lopes, sendo seus professores Helena Mascarenhas e dona Sophia Araújo. Em seguida, ingressou no Ginásio Santo Antônio (denominado depois Colégio Diocesano São João). De 1915 a 1917 cursou o Externato do professor Jonas Olynto. Com outros alunos, fundou em 1913 o Clube Literário do Colégio São João.

Em 1917, com a criação das bancas examinadoras, prestou exames parcelados no Ginásio de Salathiel de Almeida, em Muzambinho. Em 1918, prestou concurso para a antiga Subadministração dos Correios, indo prestar serviços em Belo Horizonte como estafeta interno. Lá, após estudos, prestou exames, sendo aprovado em 1920 na Faculdade Livre de Direito de Belo Horizonte, hoje integrante da Universidade Federal de Minas Gerais. Concluiu o curso em 1925.

Formado, retornou a Campanha em 1926, instalando o seu escritório de advocacia. Em 17/05/1927, quando da posse da nova Câmara, é eleito secretário. Em 24/04/1930, aos 32 anos, casou-se com Zilda de Souza da Silva Nogueira, filha de Olímpio Ferreira de Souza e Silva Filho e Ana Honória da Silva. O casal teve os filhos: Márcio, Laércio, Hélio, Ana Emília e Zilda.

Foi professor de Português na Escola Normal (2/9/1929). Eleito vereador nas primeiras eleições municipais, teve a representação renovada por 40 anos ininterruptos (de 07/06/1936 a 31/01/1971). Ocupou várias vezes a Presidência da Câmara. Foi professor no Ginásio Municipal São João, que depois se tornou Ginásio Diocesano São João.

Na companhia dos amigos Dr. Nicolau Tolentino Navarro, Manoel Alves Valladão, Cônego João Rabelo de Mesquita e Amador Bueno Horta, fundou a “Associação dos Escoteiros Campanhenses”. Foi inspetor técnico do Colégio Sion. Foi também professor e, mais tarde, inspetor do Ginásio Diocesano São João. Integrou o corpo docente da Escola Normal restabelecida em 1929.

Em 1935, foi nomeado pelo Presidente da República “Inspetor Escolar do Ensino Secundário”. Membro da Academia Sul-Mineira de Letras e fundador, junto com diversos intelectuais, do Instituto Histórico e Geográfico da Campanha, sendo seu primeiro orador. Possuidor de uma oratória inflamada e arrebatada, tornou-se uma das figuras mais proeminentes do foro campanhense.

Foi vereador mais votado na eleição para o mandato 1936/1940, tornando-se presidente da Câmara. Integrou a Comissão Censitária Municipal em 1940. Pertenceu à 22ª Subsecção da Ordem dos Advogados do Brasil e, em 1934, era seu presidente. No início de 1935, foi escolhido por Dom João de Almeida Ferrão, primeiro bispo da Campanha, para elaborar seu testamento, o que Dr. Edmundo fez e teve sua inteira aprovação.

Na imprensa campanhense, destacou-se como um dos colaboradores da revista mensal Alvorada (ago/1928 a dez/1930), de propriedade de José Borges Neto. Foi um dos fundadores e redator do jornal O Campanhense (fev/1929 – out/1930). Colaborou no Minas do Sul (2º jornal de mesmo nome), que circulou de 1/1/1935 a 6/2/1936, fundado por Dr. Jefferson Oliveira, Dr. José Borges Netto e Dr. Nicolau Tolentino de Morais Navarro. Deu também sua brilhante colaboração no Sul de Minas (2º jornal de mesmo nome), que circulou de 6/6/1936 a janeiro de 1943, cujo fundador foi o Dr. Nicolau Tolentino de Morais Navarro.

Foi membro fundador do Lions Club da Campanha (1975). Veio a falecer em 24/03/1994, aos 95 anos. Em Campanha há, em sua homenagem, uma rua com o seu nome, justo reconhecimento do município ao seu ilustre filho.

Para saber mais, consultar: Os Correios na História da Campanha, de Thomás de Aquino Araújo/Carmegildo Filgueiras, 1973; Biografias, Centro de Estudos Campanhense Mons. Lefort – biografia tendo como base trabalho de Dr. Márcio Nogueira; Sul de Minas, jornal, edição 250 de 5/10/1941; Minas do Sul, jornal de 09/06/1935.

Escrito por Leonardo Gonçalves Lima – Acervo Centro de Estudos Campanhense Monsenhor Lefort.

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