Carlos Batista de Melo Júnior, apelidado de “Melinho”, nasceu em 21 de março de 1923. Era o filho mais velho do casal Carlos Batista de Mello e Almerinda Gonçalves de Mello, católicos, assim como seus antepassados.
Desde pequeno, Melinho acompanhava os pais nas missas, participava de todas as festividades da Igreja, foi coroinha dedicado, fez a Primeira Comunhão e recebeu o sacramento da Crisma. Era alegre, comunicativo e brincalhão, ao mesmo tempo sereno, sério e responsável. Sua honestidade era exemplar.
Durante a adolescência, desejou ingressar no Seminário de Passa Quatro; depois, transferiu-se para o Seminário Nossa Senhora das Dores, em Campanha, onde fortaleceu uma grande amizade com o Monsenhor Domingos Prado da Fonseca, cujas famílias eram amigas.
Aos 22 anos, deixou o seminário, conheceu Adélia Borges e iniciou um namoro. Desempregado e com planos de casamento, foi trabalhar em São Paulo, onde permaneceu por pouco tempo. Retornou a Campanha e logo ingressou nos Correios, onde seu pai já trabalhava como carteiro. Com a estabilidade do emprego, casou-se em 20 de dezembro de 1949.
O casal teve três filhos homens e nove netos. Melinho participou como Congregado Mariano e exerceu a função de sacristão voluntário por mais de dez anos, até que mudanças nos horários dos Correios não lhe permitiram continuar. Participava das procissões por iniciativa própria, ajudando na organização e carregando o pálio.
Quando os leigos passaram a ter maior participação nas missas por meio da liturgia, foi o primeiro leitor indicado pelo padre Fuhad Lage, seu amigo, a quem acompanhava em todas as ocasiões religiosas. Na Semana Santa, Melinho e sua esposa ajudavam o padre Fuhad a escolher os apóstolos.
O salão paroquial era utilizado para a realização de festas de casamento, encontros religiosos e reuniões do clero da Diocese de Campanha. O padre Fuhad confiou ao casal a tarefa de organizar as festas. Criaram o uniforme dos garçons e adquiriram todo o material necessário, que passou a ser utilizado nos eventos, proporcionando retorno financeiro à paróquia. Por muitos anos, as festas foram elogiadas pela organização e competência.
Após a aposentadoria, começou a ensinar catecismo na cidade e na zona rural, em bairros como Catiguá, Campo Alegre, Fazenda Real, Batatinha e Palmela, onde também preparava as crianças para a Primeira Comunhão e a Crisma.
Para cativar as crianças, realizava sorteios de bombons “Sonho de Valsa” após as aulas — embora, na verdade, todos acabassem ganhando o seu bombom.
Era um catequista firme, alegre e muito querido por todos. A confiança dos pais dos catequizandos no “Tio Melinho” era enorme; as crianças o admiravam e seguiam seu exemplo.
Lançou muitas sementes boas nos corações das crianças e dos jovens. Muitas germinaram e frutificaram. Há testemunhos de ex-alunos que guardaram seus ensinamentos e exemplos por toda a vida e os transmitem a seus filhos. Destaca-se também o testemunho da ex-aluna Ticiane, residente em Três Corações, que o mencionou em uma apresentação na Igreja Catedral de Santo Antônio, onde participa da Renovação Carismática.
Foi, por muitos anos, Ministro da Eucaristia, função à qual se dedicou com piedade. Com outros voluntários, recolhia doações para a Vila Vicentina.
Na construção do Centro Comunitário Santo Antônio, o “Fuhadão”, Melinho foi o que mais se destacou, vendendo mais de 150 carnês.
Era devoto de Nossa Senhora de Fátima, a quem dedicava sua fé e admiração.
Em maio de 2001, foi diagnosticado com câncer de próstata e logo iniciou o tratamento por radioterapia. No dia 6 de maio de 2002, foi internado no Hospital Bom Pastor, em Varginha. No dia 9 de maio, seu amigo Monsenhor Domingos foi visitá-lo, e conversaram longamente. Melinho comentou que desejava estar em Campanha. Isso deu ao bem-humorado Monsenhor Domingos a oportunidade de brincar:“Ô, Melinho, na verdade você está com saudade de ouvir os sinos da Catedral”.As risadas dos dois contagiaram os presentes.
Assim foi a despedida de Melinho, na companhia de um pastor dedicado à Igreja tanto quanto ele. No dia 10 de maio de 2002, às 11h, faleceu.
Era o mês de Nossa Senhora, a quem tanto amava.
Uma vida dedicada a Deus e à Igreja.
Escrito por Jefferson Luiz de Melo.