Crônica – O silêncio de Zezinho Casadei
Na cidadezinha onde as manhãs ainda começavam com o cheiro do café passado na hora, havia sempre alguém que, entre uma conversa e outra, recordava o nome de Zezinho Casadei. Era como se sua presença continuasse ali, espalhada pelas esquinas, pelos terreiros de terra batida, pelas sombras das àrvores que conheciam bem o seu passo tranquilo.
Zezinho nunca precisou levantar a voz para ser ouvido. Fazendeiro de sucesso, tinha o dom raro de fazer muito sem dizer quase nada. Os bois, o pasto, o sol quente das tardes, tudo parecia respeitar aquele homem de gestos contidos e olhar calmo. Discreto, caminhava como quem não queria incomodar, e justamente assim conquistou a fama que tantos desejam, mas poucos merecem.
Quando se tornou vereador, levou para a política o mesmo silêncio sábio que levava para o campo. Não se enfeitou de discursos, não se deixou levar pelos excessos. Preferia a solidez das atitudes, aquelas que não se anunciam, apenas constroem. E construiu muito: respeito, confiança, um caminho reto que poucos conseguem manter.
Os necessitados encontravam nele mais do que ajuda. Recebiam atenção. Era daquelas almas que estendem a mão sem esperar agradecimento, porque para Zezinho bondade não era favor, era ofício da alma.
A fé cristã o guiava de um jeito simples, sem ostentação. E foi essa fé que lhe iluminou o maior de seus empreendimentos afetivos: a construção do templo do Mártir São Sebastião. Ele falava da obra com aquele entusiasmo sereno, quase tímido, que só têm os que sonham com o coração e trabalham com as mãos. Ao lado dos amigos, ergueu não apenas paredes, mas um símbolo de união, devoção e esperança para toda a comunidade.
E assim, sem alardes, Zezinho Casadei atingiu o ideal que guardava. Não deixou monumentos materiais imponentes; deixou algo maior, um rastro de simplicidade, de fé e de retidão que continua sendo contado, nesta crônica que se desenha na lembrança de todos que o conheceram.
Fonte: Texto adaptado do livro "Bons Exemplos", de João Araújo (2008).