athos andresATHOS ANDRÉS

O Telegrafista

Athos Andrés era um homem simples, de fala mansa e gestos contidos, desses que pareciam carregar uma serenidade antiga. Tinha no olhar uma espécie de clareza que confortava quem dele se aproximava. No convívio diário, era cortês, respeitoso e trazia sempre uma palavra ponderada, dita no tempo certo e no tom exato.
No trabalho, era uma presença constante e equilibrada. Sabia ouvir, orientar e compreender. Recebia a todos, do chefe ao mais humilde funcionário, com a mesma consideração. Não se deixava levar por títulos ou aparências; via nas pessoas o que havia de verdadeiro. Às vezes, quando percebia um erro, esboçava um sorriso discreto, meio de protesto, meio de ensinamento silencioso. Era seu jeito de corrigir sem ferir.
Foi ele quem abriu portas e caminhos. Com sua paciência e confiança, ajudou muitos a descobrirem talentos e vocações, como no caso de quem, ao seu lado, se fez telegrafista — profissão que nasceu mais de um encontro de destinos do que de um plano traçado.
Athos Andrés deixou marcas profundas, mas leves, como pegadas em terra úmida. Seu exemplo não se apagou com o tempo; permanece na lembrança dos que com ele caminharam, como um farol discreto, a iluminar o valor da bondade e da simplicidade verdadeira.

Fonte: Texto adaptado do livro "Bons Exemplos", de João Araújo (2008).

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