Dona Hermila
Olha, a Hermila… ah, a Hermila era daquelas pessoas que a gente sente de longe que têm o coração bom. Sabe aquela figura serena, sempre com um olhar singelo, que parece entender o mundo sem precisar erguer a voz? Era ela.
No convívio de todo dia, fosse entre colegas ou amigos, Hermila era sempre a mesma: prestimosa, equilibrada, nunca deixava que uma querela se criasse ao seu redor. Parecia até que carregava uma paz própria, dessas que a gente encontra raramente na vida.
E o mais bonito é que ninguém tinha nada a dizer dela, a não ser coisas boas. Nunca se ouviu falar de briga, de aborrecimento, de maldade. A pureza brilhava mesmo no rosto daquela mulher. A única coisa contra a qual ela endureceu de verdade foi a doença que tentou abatê-la; aí, sim, mostrou firmeza.
Mas, mesmo enfrentando o que enfrentou, Hermila nunca deixou de sorrir. Era um sorriso manso, daqueles que abraçam a gente sem precisar encostar. Ela distribuía bondade como quem oferece cafezinho quente na porta de casa.
E é assim que a gente se lembra dela: delicada, amiga e sempre pronta a espalhar luz.
Fonte: Texto adaptado do livro "Bons Exemplos", de João Araújo (2008).