Entre os séculos XVIII e XIX, poucas ruas tiveram tanta importância para Campanha quanto a antiga Rua Direita.
Nascida praticamente junto com o povoado, acompanhou o crescimento da vila e tornou-se um de seus principais eixos de expansão.
Mais do que um caminho, era também um retrato da sociedade campanhense. Ao longo de seu traçado viviam comerciantes prósperos, magistrados, fazendeiros, padres e famílias tradicionais.
O nome “Rua Direita” vem da tradição urbana portuguesa. Nas antigas vilas de Portugal, assim eram chamadas as ruas que ligavam pontos importantes da povoação, geralmente a igreja matriz às áreas comerciais ou administrativas.
Em Campanha, porém, o nome ganhou um significado especial.
Ao contrário de muitas ruas portuguesas chamadas de “direitas”, mas que eram tortuosas, a nossa era, de fato, direita.
Partia da antiga Praça da Matriz, seguia pelo espigão da colina em direção ao norte e chegava ao Lago das Almas, uma das saídas da vila para São João del-Rei, então sede da comarca.
A Rua Direita também era caminho de fé.
Ao longo dela estavam os Passos da Paixão de Cristo, pequenas capelas que marcavam as estações das procissões religiosas. Nesses dias, a rua se transformava: o caminho cotidiano dava lugar ao sagrado.
Com o passar do tempo, recebeu outros nomes: Rua Saldanha Marinho e, posteriormente, Rua Saturnino de Oliveira, nome que permanece até hoje.
Sua arquitetura mudou, mas o essencial permaneceu.
Seu traçado, sua largura e sua importância histórica atravessaram o tempo.
Percorrer a antiga Rua Direita é, portanto, mais do que caminhar por uma rua antiga.
É seguir por um dos caminhos que ajudaram a construir Campanha.