MARIA CAPOEIRA E JOÃO CAPOEIRA

Ah, deixa eu te contar, que história bonita desses dois...Maria Capoeira e João Capoeira! Lá no Morro dos Pintos é que moravam, dois velhinhos de alma leve e passo manso, conhecidos de todos. Quem passava por lá sabia logo quem eram – era só ver os dois, sempre juntinhos, um do lado do outro, andando devagarzinho, com aquele sorriso quieto no rosto.

Diziam que até o vento se aquietava para não atrapalhar o caminhar deles. João, homem simples, amigo de todos, tinha um jeito de quem sabia conversar com as plantas e com os bambus que viviam por ali. Era desses que não deixavam faltar o que fazer, vivia ganhando pedaços de bambu dos amigos, e com isso ajudando a companheira.

Maria, ah, Maria Capoeira... mulher de mãos ágeis e coração sereno. Passava as tardes tecendo cestinhas e peneiras, uma mais bonita que a outra. O povo de Campanha mesmo se encantava com o capricho dela. E olha que o trabalho não era só por necessidade  não, era um oficio feito com amor, um jeito dela espalhar beleza pelo mundo.

Viviam modestamente, é verdade, mas nunca se ouviu deles um queixume. Eram pobres, sim, mas nunca foram mendigos. Tinham um ao outro, e isso bastava. A vida deles era frita de simplicidade e ternura. Quem via os dois juntos dizia que ali morava o verdadeiro sentido da palavra companheirismo.

E assim seguiram, dia após dia, os dois velhinhos do Morro dos Pintos, Maria e João Capoeiram, ensinando sem dizer em palavras, que o amor pode ser simples, mas quando é verdadeiro brilha mais que ouro.

Fonte: Texto adaptado do livro “Gente Simples que Eu Vi”, de João Araújo (2008).

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