Meu Pai, Dr. Ivan Sérgio Pires – Um Relato de Sua Filha Abigail
Meu pai, Ivan Sérgio Pires, nasceu em Campanha em 9 de novembro de 1922. Casou-se com Maria Antônia Valadão, teve quatro filhos e seis netos.
O papai se formou em Medicina em dezembro de 1950 pela Universidade Federal de Minas Gerais e depois voltou para Campanha para atuar como pediatra. Papai trabalhou no serviço público por 40 anos, lá no posto de saúde. Ele atendeu várias gerações e, no final de sua carreira, atendia os netos dos primeiros pacientes.
Naquele tempo, preocupado com a mortalidade infantil, ele ensinava às mães cuidados básicos de higiene e alimentação. Me lembro de ver, impresso lá em casa, receitas de sopa que ele mandava imprimir na gráfica para que as mães fizessem para seus filhos em casa. Era muito carinhoso e brincalhão com as crianças, mas também era enérgico com os pais, para fazer com que cumprissem suas recomendações.
Ele era incentivador da vacinação e, pelo seu empenho, conseguiu reduzir e até mesmo erradicar algumas doenças em Campanha. Nos anos 60, ele ia pessoalmente, em seu carro, a Belo Horizonte buscar vacinas para a população e também medicamentos para a tuberculose.
Ciente da importância da higiene na prevenção de doenças, ele participou, em conjunto com a EMATER, ao lado de Fernando Vaz de Melo e com o grupo Vagalume, de uma campanha para saneamento da zona rural e da periferia da cidade, promovendo a instalação de fossas e filtros de água potável. Trabalhou por muitos anos na APAE e foi professor de Biologia quando foi fundada a Escola Estadual Vital Brasil.
Além da pediatria, ele gostava muito da clínica geral e atendia muitos pacientes idosos. Nossa! Ele tinha um carinho, um zelo para com os “velhinhos” dele. Atuava também como médico assistente na sala de parto, e ele adorava essa atividade, que exercia com muito prazer. Naquela época, trabalhava com o Dr. Fernando Cavalher, que era o obstetra, e o Dr. Henrique, o anestesista.
Papai era uma pessoa muito comunicativa, alegre, gostava de conversar e cumprimentar todos que encontrava pelo caminho. Ele deixou muitas lembranças boas, tanto como pessoa quanto como profissional que foi. Faleceu em 2 de outubro de 2011.
Escrito por Abigail Cristina Valladão Pires Dias.